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Sobre inovação, tendências e IA para conselhos

  • Foto do escritor: Keine Alves
    Keine Alves
  • 11 de mar.
  • 4 min de leitura

O conselho que não aprende na velocidade da mudança começa a decidir abaixo do tempo do mercado.


No dia 4 de março, assisti online à aula 3 do ABP com Paulo Henrique Barroso Menezes, dedicada ao tema Inovação, Tendências e AI para Conselhos. Saí da aula com uma percepção ainda mais consolidada. Inteligência artificial não pode mais ser tratada, no ambiente de conselho, como um assunto periférico, uma curiosidade tecnológica ou um simples apêndice da pauta de inovação.


A aula foi clara ao relacionar IA e tomada de decisão, partindo de um ponto que já não pode mais ser ignorado. A IA deixou de ser apenas uma tecnologia emergente e passou a ser ferramenta concreta no cotidiano das organizações e, por consequência, no universo dos conselhos.


Esse ponto é decisivo. Quando uma tecnologia deixa de ser promessa e passa a influenciar trabalho, operação, produtividade, análise e decisão, o conselho não pode mais observá-la de fora. Precisa compreendê-la, supervisioná-la e enquadrá-la sob a lógica da governança. Foi justamente esse deslocamento que deu densidade à aula, até porque, tecnicamente, esse tema já faz parte do meu dia a dia de trabalho dentro dos negócios a qual faço parte.


Mas houve um mérito importante na condução do Paulo Menezes que vale destacar, pois a aula não tratou a IA como salvadora nem como ameaça em si. Tratou de recolocar o conselheiro no seu devido lugar em relação ao tema.


A máquina pode ampliar capacidade, velocidade e alcance. A responsabilidade, porém, continua sendo humana. Nesse ponto, ele foi enfático e assertivo ao lembrar que os conselhos não decidirão sozinhos, mas continuarão responsáveis por tudo o que for decidido. No fim do dia, o CPF continua sendo de quem responde.


Esse debate me interessa de forma especial porque minha trajetória também está ligada à cibersegurança, ao compliance, à inteligência artificial e ao universo das empresas SaaS. Nesses ambientes, a mudança tecnológica não é abstração. Ela altera produto, modelo de negócio, risco operacional, exposição regulatória, velocidade de execução e expectativa do cliente. Por isso, olhar para IA a partir do conselho não é luxo intelectual, é um dever que precisa ser cumprido.


Um dos pontos mais fortes da aula na minha percepção, foi a provocação sobre dever fiduciário. Se o conselheiro tem o dever de decidir pelo melhor interesse da organização, e se determinadas aplicações tecnológicas já conseguem operar com maior volume, menor margem de erro e maior acurácia do que o humano em certos tipos de análise, deixar de induzir a empresa por esse caminho pode colocar em xeque esse próprio dever fiduciário.


A provocação é séria porque muda o eixo da discussão. O debate já não está mais em saber se vale a pena usar IA. Em certos contextos, a questão mais honesta passa a ser esta: em que ponto deixar de usar IA deixa de ser prudência e passa a ser negligência estratégica?


Ao mesmo tempo, a aula não caiu no erro comum de tratar IA como solução mágica, pois houve uma discussão importante sobre base informacional, modelo calibrado e premissas corretas.


Sei que muitas empresas ainda não têm dados estruturados, não organizam adequadamente suas informações e, mesmo assim, querem usar IA para temas como preço, produto ou previsão.


A resposta foi boa, pois a IA realmente pode acelerar correlações, ampliar capacidade analítica e reduzir tempo. Mas, sem informação certa e sem modelo certo, ela apenas acelera erro e amplia riscos. Isso vale para conselho, vale para gestão e vale ainda mais para ambientes em que dado sensível, confidencialidade e rastreabilidade importam.


Para quem vem de tecnologia, especialmente das telecomunicações e da cibersegurança, esse ponto pesa ainda mais. Não basta falar em adoção de IA. É preciso falar em governança da adoção. Onde os dados estão. Quem acessa. Que modelos são usados. Que nível de exposição existe. O que vai para a nuvem e o que não pode sair de um ambiente controlado.


Esse detalhe, que parece técnico, é estratégico, pois o conselho que discute IA sem discutir risco, arquitetura, dados, segurança e fronteira de uso está vendo apenas uma pequena parte do problema.


Outro eixo relevante da aula foi a produtividade. Em vez de enfatizar a disputa entre plataformas, Paulo trouxe a conversa para o chão. A melhor ferramenta não é a que vence briga de torcida. É a que entrega resultado, facilita treinamento, reduz atrito operacional e apresenta relação coerente entre custo e benefício. Essa é uma lente útil para conselhos, sobretudo em negócios SaaS, em que eficiência operacional, ganho de escala e velocidade de adaptação fazem diferença direta na competitividade.


Também foi forte a discussão sobre o papel do conselheiro diante da autonomia crescente dos sistemas. A IA já não aparece apenas como ferramenta passiva. Ela entra como suporte, indução, insight e, progressivamente, como agente com algum nível de autonomia em decisões do dia a dia. Nesse cenário, o papel do conselho não desaparece. Ele muda de lugar. Em vez de decidir tudo diretamente, passa a definir premissas, parâmetros e limites para que a decisão ocorra dentro de uma moldura aceitável.


Saí dessa aula online do dia 4/3 com uma síntese objetiva.


“O risco nunca esteve na IA decidir demais. O risco verdadeiro está no conselho em continuar decidindo como se a realidade ainda fosse a de antes.”


Em um mundo pressionado por inovação, dados, velocidade e novas fronteiras tecnológicas, conselho que não entende de tecnologia e especial a IA perde repertório para perguntar, criticar, supervisionar e orientar. Penso também que quando o conselho perde essa capacidade, a empresa começa a ficar vulnerável sem perceber.


No fim, não se trata de parecer moderno diante da tecnologia. Trata-se de não se tornar um dinossauro diante da realidade.


Keine Alves – Líder educador, pesquisador e filósofo aplicado


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sem filtro, sem ensaio, só experiência.

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