Do painel da Agrishow ao que o agro ensina às empresas sobre inteligência artificial
- Keine Alves

- 5 de mai.
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A nova disputa não é por tecnologia... É pela capacidade de capturar valor e margem com mais inteligência.
Estar no painel de uma feira como a Agrishow - Feira de Tecnologia Agrícola em Ação é diferente de circular por ela como visitante. Quando estamos no palco, diante de produtores, empresários, pesquisadores, técnicos, executivos e pessoas que lidam todos os dias com a dureza concreta do campo, não há muito espaço para abstração confortável. A fala precisa encontrar a realidade. A ideia precisa resistir ao solo, à máquina, ao clima, ao preço, à margem e à decisão que não espera.
Foi isso que a Agrishow me provocou. Realizada em Ribeirão Preto entre 27 de abril e 1º de maio, ela reuniu mais uma vez o agro, a indústria, a tecnologia, a pesquisa, as startups e os negócios em um ambiente que não se explica apenas pelo tamanho da feira.
A própria organização apresenta o evento como a maior feira de tecnologia agrícola da América Latina, com mais de 800 expositores e expectativa de cerca de 197 mil visitantes de mais de 50 países. É, portanto, um espaço em que o agro aparece não como setor, mas como sistema econômico, produtivo, tecnológico e estratégico.
Mas o que mais me chamou atenção não foi a quantidade de máquinas, drones, sensores, robôs, sistemas autônomos ou plataformas digitais.
O que me ficou foi outra coisa.
A Agrishow mostrou que o agro brasileiro está diante de uma passagem decisiva. Depois de décadas provando sua força produtiva, o setor começa a enfrentar com mais clareza uma pergunta mais madura: como capturar mais valor daquilo que já sabe produzir?
Essa pergunta muda o nível da conversa.
Produzir muito é uma competência. Capturar valor é outra.
O Brasil já ocupa posições relevantes em diversas cadeias do agro. Nos slides apresentados na feira, apareciam dados fortes sobre a participação brasileira nas exportações mundiais de suco de laranja, soja, açúcar, carne de frango, carne bovina, café, fumo, celulose, algodão, milho, etanol e carne suína.
Me recordo de uma lâmina que mostrava a força do país no comércio internacional. Mas, ao mesmo tempo, ela deixava uma inquietação. Se somos tão fortes em produção e exportação, quanto valor ainda deixamos escapar por não transformar volume em diferenciação, marca, origem, rastreabilidade, serviço, relacionamento, inteligência de mercado e confiança?
Essa é a pergunta que o agro precisa enfrentar. E é também a pergunta que qualquer empresa séria, de qualquer setor, precisa fazer.
Uma coisa é vender produto. Outra coisa é construir valor. Uma coisa é entregar volume. Outra coisa é construir preferência. Uma coisa é participar de uma cadeia. Outra coisa é influenciar a cadeia. Uma coisa é operar bem. Outra coisa é saber onde está a margem, onde está o desperdício, onde está o risco e onde está o próximo movimento do mercado.
Foi por isso que os slides que vi sobre agregação de valor foram tão importantes. Eles não falavam apenas de exportação. Falavam de uma busca por inteligência de mercado, diferenciação, ações coletivas entre empresas, parcerias e investimentos internacionais, ações públicas e cooperativismo.
Falavam de qualidade, segurança, sanidade, bem-estar animal, origem, confiança, proximidade, certificações, menor footprint, sustentabilidade, agricultura circular e regenerativa, construção permanente de valor ao comprador e uso do digital para ampliar conectividade e proximidade.
Isso não é uma agenda técnica. É uma agenda de maturidade competitiva de um mercado que está maduro.
Tinha um outro slide que também me chamou a atenção pois ele mostrava inclusive os estágios de agregação de valor no agronegócio. Primeiro, o produto bruto, como soja, milho, café em grão, amendoim, boi em pé e leite. Depois, o produto industrializado a granel, como açúcar, etanol, sucos, carnes, leite em pó, celulose, farelos, óleos e algodão em pluma. Em seguida, o produto industrializado, embalado e encaixotado, com destino a indústria alimentícia, marcas próprias, varejo e foodservice. Por fim, o estágio mais sofisticado, produto industrializado, embalado, encaixotado e com marca de origem.
Essa progressão é mais do que uma classificação. Ela é um mapa de consciência empresarial e que pode ser explorado por diversas empresas que buscam apoiar esse mercado com soluções sob medida.
Mostrar que a riqueza não está apenas no que se produz, mas no modo como se organiza o valor ao redor da produção faz todo o sentido para esse mercado. O produto bruto é necessário, mas ele não pode ser o destino de uma nação que quer ocupar um lugar mais estratégico no mundo.
O Brasil não pode ser apenas força produtiva. Precisa ser também inteligência de mercado, marca, confiabilidade, diferenciação, logística, tecnologia, sustentabilidade e capacidade de relacionamento internacional.
É exatamente aqui que a inteligência artificial entra, como uma nova camada de inteligência sobre a cadeia de valor na minha percepção.
Ela entra para ajudar o agro a enxergar melhor, decidir melhor, operar melhor, classificar melhor, vender melhor, reduzir desperdício, antecipar risco, usar melhor energia, usar melhor insumo, compreender melhor o solo, a planta, o cliente, a margem e o mercado.
Esse é o ponto que muitas empresas ainda não entenderam. A IA não começa na ferramenta. Começa na pergunta que a empresa é capaz de fazer sobre o valor que ainda não consegue capturar.
No painel da Agrishow Labs, procurei justamente desmistificar essa conversa. A IA não precisa começar como algo distante, caro, inacessível ou reservado apenas para grandes produtores. Ela já pode estar no celular, no WhatsApp, na análise de uma imagem, no cálculo de custo e margem, na consulta técnica, no acompanhamento de preço, na escolha de uma janela de plantio ou na comparação de alternativas de venda. Na fala do painel, essa ideia apareceu de forma simples: a IA analisa informações e ajuda quem está no campo a tomar decisões melhores, especialmente porque existem janelas de tempo que não podem ser perdidas.
Essa simplicidade é importante. Mas ela não deve ser confundida com superficialidade. Pois soluções como o GPTMaker traz uma simplicidade assertiva no uso e profunda no impacto.
Quando um produtor consegue tirar uma foto de uma cultura, comparar alternativas, consultar um manejo, avaliar custo, margem e melhor momento de venda, ele não está apenas usando uma tecnologia nova. Ele está reduzindo o improviso. Está colocando informação no lugar onde antes havia apenas tentativa. Está diminuindo o intervalo entre dúvida, análise e ação. Está transformando complexidade em melhor decisão.
Esse é o verdadeiro ganho. Para o Agro não é sobre fazer o produtor parecer moderno.
É sobre ajudá-lo a errar menos, perder menos, gastar melhor e decidir com mais clareza.
Das soluções que foram apresentadas a aplicação do Grupo Jacto talvez tenha sido um dos símbolos mais fortes dessa virada. O pulverizador autônomo Arbus 4000 JAV, apresentado na Agrishow 2026, não é importante apenas porque é uma máquina autônoma. Ele é importante porque representa uma mudança de modelo mental.
Segundo a apresentação realizada no mesmo painel que eu estava, a Jacto levou o Arbus 4000 JAV para a feira já em escala comercial, depois de mais de 16 mil horas trabalhadas em quase 60 mil hectares, com foco em segurança, prevenção de acidentes e operação agrícola autônoma.
O equipamento opera “sem operador embarcado”, com supervisão remota. Usa sensores para leitura do ambiente, faz escaneamento das plantas, identifica onde está o alvo da aplicação, ajusta a pulverização e transforma dados de operação em informação para gestão. O painelista Ronaldo Sacomani, descreveu que o sistema utiliza sensor laser para identificar a localização da planta e ajustar a aplicação, além de usar telemetria para capturar, processar e disponibilizar dados para tomada de decisão e ajustes no processo de trabalho. Isso é decisivo.
A IA não está apenas ao lado do trabalho. Ela está dentro do trabalho.
A máquina lê o ambiente, interpreta, ajusta, opera, registra e devolve dados para o gestor. A operação deixa de depender exclusivamente da percepção imediata do operador embarcado e passa a ser supervisionada por uma inteligência distribuída entre sensores, algoritmos, telemetria, conectividade, máquina, campo e gestão.
Portanto, fica claro uma formulação importante de que a IA vem para expandir as capacidades humanas, não para destruir o trabalho humano.
Não é a IA que apenas responde perguntas. É a IA que altera a estrutura de operação, muda a relação entre pessoa e trabalho, amplia a capacidade de supervisão, reduz exposição a risco, melhora previsibilidade, padroniza execução e transforma operação em dado útil.
Mas a própria Jacto também revela uma verdade incômoda. Operação autônoma exige ambiente estruturado. No painel, isso ficou claro que para usar automação de alto nível, o agricultor precisa organizar o ambiente. Se o campo não está preparado, se há obstáculos não previstos, se a operação não tem padrão, a máquina para e o processo trava e alguém precisa intervir.
Isso vale para o agro, mas vale para todas as empresas que estão aplicando a IA, pois a tecnologia avançada exige organização avançada.
Uma empresa desorganizada não vira madura porque comprou IA. Ela apenas passa a ter uma desorganização mais veloz, mais cara e mais difícil de explicar.
Se há método, a IA amplia método. Se há dado confiável, a IA amplia inteligência. Se há processo organizado, a IA aumenta produtividade, mas se há improviso, ela sofistica o improviso.
Se há dado ruim, ela produz resposta frágil com aparência de precisão. Se há liderança despreparada, ela entrega tecnologia nas mãos de quem ainda não aprendeu a pensar o próprio trabalho.
Esse é o risco que muitos líderes não querem encarar. A inteligência artificial não salva empresas que não sabem decidir. Ela apenas torna mais visível a qualidade ou a pobreza da decisão.
Ao lado das grandes máquinas, a Agrishow também mostrou outra fronteira importante: o ecossistema de inovação. O International Office - SUPERA Parque, localizado dentro da Universidade de São Paulo Ribeirão Preto, se apresenta como habitat de inovação criado pela Prefeitura de Ribeirão Preto e pela Universidade de São Paulo, conectando academia, empresas e mercado em uma área de 378 mil metros quadrados.
A sua vertical SUPERA Agro é dedicada ao agronegócio e atua conectando startups, empresas, produtores e instituições, com eixos como agricultura de precisão e transformação digital, biotecnologia e sustentabilidade, pós-colheita e cadeia de valor, gestão, mercado e finanças.
Essa informação é estratégica, pois a inovação real no agro não nasce apenas na grande indústria. Ela nasce também no encontro entre universidade, incubadora, startup, produtor, pesquisa, campo experimental e mercado.
O agro brasileiro precisa dessa arquitetura. Não basta ter a demanda, é preciso transformar problema real em tecnologia validada, tecnologia validada em negócio, negócio em escala e escala em valor capturado ampliando a margem do produtor.
A Hope é um bom exemplo. A empresa atua com soluções para aumentar produtividade, confiabilidade e validação de processos na área cafeeira. O projeto Coffee Color Qualifier qualifica amostras de café por cor, formato e tamanho de maneira ágil e rigorosa, modernizando a seleção de grãos.
Isso parece apenas uma solução técnica. Não é, pois no café, classificação é valor. Cor, forma, tamanho, defeito, grão moca, grão brocado, padrão, origem e rastreabilidade influenciam qualidade, reputação, preço e acesso a mercados. Quando a IA ajuda a classificar melhor, ela não está apenas substituindo uma etapa visual. Ela está ajudando a separar valor de desperdício, com mais consistência e escala.
A IA SENSE trabalha em outra fronteira, pois a empresa desenvolve soluções com inteligência artificial, visão computacional e sensores embarcados, projetadas para ambientes desafiadores e sem internet.
Em 2025, ela foi selecionada para um projeto internacional de detecção precoce de doenças em plantações de mandioca, usando sensores IoT, imagens de campo, dados técnicos e algoritmos de visão computacional.
A lógica nesse mercado fica clara. Diagnóstico precoce é gestão de risco. Quando se detecta uma doença antes de ela se espalhar, não se está apenas preservando planta. Está se protegendo produtividade, margem, sanidade, uso de defensivos, contrato e previsibilidade da cadeia. Isso vale para a lavoura, mas vale também para qualquer organização. Quem enxerga cedo, decide melhor. Quem só enxerga tarde, administra dano.
A ByMyCell - Genômica Simplificada entra por um caminho ainda mais invisível, a biologia do solo. A empresa realiza análises do microbioma do solo, de sementes, raízes, folhas, bioinsumos e outras amostras, usando sequenciamento de DNA de nova geração, processamento em nuvem e bioinformática para identificar microrganismos presentes nas amostras.
Esse caso mostra uma mudança mais profunda. Durante muito tempo, muitas decisões sobre solo foram guiadas pelo que se conseguia medir de forma mais tradicional. Agora, a vida invisível do solo começa a se tornar dado estratégico. O produtor deixa de olhar apenas para a superfície e passa a acessar uma camada biológica que influencia sanidade, produtividade, resposta ao manejo, bioinsumos e eficiência no uso de recursos.
Isso é mais do que método. É uma mudança de forma de conhecer.
Uma outroa empresa que conheci foi a TEG Know Your Field, por sua vez, atua com sensores personalizados, automação, inteligência artificial e soluções para transformar dados em decisões inteligentes no campo. A empresa se apresenta como parceira de fabricantes de máquinas agrícolas e produtores, com foco em aumento de eficiência, redução de custos e automação aplicada.
Seu sistema TrackSoil mede compactação do solo em tempo real, embarcado em implementos agrícolas, gerando dados para orientar intervenções com mais precisão.
Aqui a pergunta deixa de ser “tenho compactação?” e passa a ser “onde exatamente preciso agir?”. Essa diferença muda o custo. Muda o uso de energia. Muda a intervenção. Muda a produtividade. Muda a lógica de gestão.
A IDGeo , que também conheci lá reforça essa linha. A sua plataforma SaaS integrada que conecta time de campo e time de escritório, processa imagens de drone e satélite, identifica danos, daninhas e áreas de maior concentração de problemas, gera alertas para o aplicativo de campo e funciona offline para lidar com a falta de internet no campo. O sistema orienta o time sobre onde deve ir, permite análise local, aplicação direcionada e relatórios personalizados dentro da plataforma.
Isso é gestão na sua forma mais concreta. Não é dashboard para enfeitar reunião ou mostrar números e gráficos bonitos, é informação orientando deslocamento, prioridade, catação, aplicação, relatório e a tomada de decisão.
Quando junto Jacto, Hope Kphé, IA Sense, ByMyCell, TEG e IDGEo, vejo uma mesma direção. A IA esta deixando de ser conversa fiada sobre futuro e começando a entrar no metabolismo do agro. Ela entra na máquina, no solo, no grão, na imagem, no sensor, no mapa, no aplicativo, no escritório, na logística, na energia, no mercado e na decisão.
E isso se conecta diretamente com as oportunidades de investimento no agro brasileiro. Frentes como tratores, máquinas, drones e equipamentos, fertilizantes, defensivos, nutrição e saúde animal, bioinsumos, agricultura regenerativa, conectividade e inteligência artificial, combustíveis sustentáveis, biogás, biometano, etanol, biodiesel, créditos de carbono, papel e celulose, processamento de frutas, marcas próprias, produtos embalados, crédito, seguros, logística, armazenagem, varejo, alimentação, educação, consultorias e serviços legais podem estar presente nesse segmento.
Esse mapa é importante porque mostra que o agro contemporâneo não é mais apenas “dentro da porteira”. É uma arquitetura de valor antes, dentro e depois da porteira.
No painel que participei, essa discussão apareceu quando se perguntou onde estaria o futuro da aplicação da IA, antes, dentro ou depois da porteira. A minha resposta não foi escolher uma parte. Foi reconhecer que o agro ficou complexo demais para ser tratado de forma fragmentada e com isso a IA pode contribuir justamente por acoplar engrenagens, dar previsibilidade, integrar dados, ampliar percepção e permitir que o ser humano faça curadoria sobre a informação.
Essa é a visão sistêmica que falta em muitas empresas e muitos empresários de qualquer área de negócio, pois a empresa que olha apenas uma área pode até melhorar um pedaço. Mas a empresa que entende o sistema consegue capturar valor e raramente o valor está isolado. Ele aparece na conexão entre operação, cliente, logística, marca, preço, energia, dado, processo, confiança e tempo.
Por isso, quando me perguntaram sobre oportunidades de gestão no agro, minha resposta não passa por uma lista simples de ferramentas. A maior oportunidade está em deixar de tratar o agro apenas como produção e passar a tratá-lo como sistema de captura de valor.
Há espaço enorme em gestão de dados, integração entre campo e escritório, inteligência de mercado, rastreabilidade, qualidade pós-colheita, eficiência energética, diferenciação de marca, cooperativismo, logística, serviços, seguros, crédito, certificações e relacionamento internacional. A gestão no agro será cada vez menos controle administrativo e cada vez mais orquestração inteligente de decisões distribuídas em uma cadeia complexa.
E para mim fica claro que a tendência que muda o jogo nas empresas é a passagem da IA como ferramenta de apoio para a IA como inteligência operacional embarcada. O caso da Jacto deixa isso evidente. Não é análise posterior. É máquina que lê ambiente, ajusta aplicação, gera telemetria, opera com autonomia supervisionada e transforma operação em dado. Essa mesma lógica vai chegar a fábricas, hospitais, logística, varejo, educação, serviços financeiros, compliance, atendimento e manutenção. A próxima etapa da IA nas empresas não será apenas escrever textos, resumir reuniões ou automatizar atendimentos.
As soluções de IA que encontrei mostram um mapa amplo. Há IA na pulverização autônoma da Jacto, na classificação de grãos de café da Hope Kphé, na visão computacional da IA Sense, na análise de microbioma da ByMyCell, nos sensores e mapas de compactação da TEG, no monitoramento por drone e satélite da IDGEL e nas aplicações conversacionais simples, como o Zé IAgro, que mostram ao produtor que a IA pode começar perto, pelo celular, desde que esteja conectada a perguntas reais de plantio, custo, margem, preço e decisão.
Sobre eficiência de energia, os benefícios tendem a aparecer em máquinas agrícolas, pulverização inteligente, irrigação, armazenagem, logística, transporte, processamento industrial, bioenergia, biogás, biometano, etanol, biodiesel, combustíveis sustentáveis, créditos de carbono e serviços ambientais.
Mas é preciso entender uma coisa, que a eficiência energética não será apenas troca de fonte. Será redesenho de processo. A IA ajudará a reduzir desperdício invisível, otimizar rotas, ajustar uso de máquinas, antecipar manutenção, controlar consumo, reduzir aplicação desnecessária e usar recursos com mais precisão.
E, por fim, uma das perguntas que me fizeram eram se as IAs estão reduzindo a carga mental do produtor? Sim, quando são bem desenhadas. Não, quando apenas criam mais telas, mais alertas e mais complexidade sem orientação.
A boa solução de IA reduz carga mental porque transforma excesso de informação em orientação prática. Ela organiza dados, indica prioridade, compara cenários, alerta riscos, registra histórico e ajuda a decidir dentro da janela correta. Mas há uma condição inegociável, pois ela precisa estar ligada ao processo real do produtor.
Menos carga mental não significa menos responsabilidade. Significa mais clareza para exercer uma responsabilidade que continua humana e essa talvez seja a conclusão mais importante.
A Agrishow mostrou que a IA já entrou no trabalho real. Mas também mostrou que tecnologia sozinha não sustenta transformação. O campo é um dos ambientes mais honestos para pensar negócios porque não perdoa abstração sem custo. O dado precisa servir. O processo precisa funcionar. A decisão precisa acontecer na janela certa. A tecnologia precisa provar valor.
Essa exigência não é exclusiva do agro. É a exigência de qualquer empresa.
A inteligência artificial vai continuar avançando. Ela entrará em mais processos, mais setores, mais máquinas, mais rotinas, mais decisões e mais camadas do trabalho e o agro está aprendendo isso no campo, com a dureza que o campo impõe.
As demais empresas deveriam prestar atenção, porque a nova vantagem competitiva não será apenas ter tecnologia.
Será ter pessoas, processos, dados, cultura e liderança capazes de transformar tecnologia em melhor decisão e melhor decisão em valor capturado para ampliação de sua margem...
Keine Alves – Líder educador, pesquisador e filósofo aplicado




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